Espetáculos

"Os Corcundas"


OS CORCUNDAS surgiu primeiramente como um sonho, imagens que surgiram em meu imaginário, que depois se transformam em palavras e então foi fácil transcrever para o palco, foi só copiar o que vi em sonhos. A pesquisa que realizo desde os anos 70, sobre o corpo do Ator, me levou a aprender e entender “LIBRAS”, língua brasileira de Sinais, minhas viagens por dezenas de países de línguas diferentes e ainda a pesquisa que realizei em 5 anos na Europa sobre Teatro Medieval, resultou no espetáculo OS CORCUNDAS. Uma pantomima circense medieval.
A proposta de montagem foi realizar um espetáculo sem cenário, com significativos adereços, para qualquer tipo de público, crianças, adultos, estrangeiros, pessoas com as mais diversas deficiências  ...

“Uma história de Amor de dois feios, que se sustenta na interpretação e emoção dos dedicados atores”.
Breno Moroni

Aline Duenha e Mauro Guimarães - Teatro Prosa SESC Horto 2011 - Foto: Larissa Pulchério
Sinopse
Uma pantomima que conta a saga de dois corcundas errantes: ele, o Corcunda, simpático, feio e puro! Como um cão, tenta ser amigo, mas, tem medo dos homens! Ela, a Corcunda, é feia e brincalhona. Esperta como um macaco, não percebe a opinião ou lógica das pessoas. Depois de caminharem pelo mundo, sem nada para vender ou comprar, são arrebatados por um amor sincero, avassalador, verdadeiro, engraçado e puro. Um espetáculo que diverte e emociona!

Aline Duenha e Mauro Guimarães - Festival América do Sul 2011 - Foto: Laila Pulchério

Ficha Técnica

Texto, dramaturgia e direção
Breno Moroni
Elenco
Luciana Kreutzer (1ª montagem: Aline Duenha, 2ª montagem: Lu de Bem)
Mauro Guimarães
Figurino e material Cênico
Circo do Mato
Operação de som e luz
Laila Pulchério e Murillo Atalaia
Produção gráfica
Diego Ouro Preto
Fotografia
Larissa Pulchério
Laila Pulchério

Laila, Mauro, Breno, Aline e Yago - Foto: João Moroni - 2011

O encontro
Breno Moroni e Circo do Mato

Dentre várias ações culturais realizadas pelo Circo do Mato, acontece a Pantalhaços – Mostra de Palhaços do Pantanal em parceria com o Flor e Espinho Teatro, com apresentações de espetáculos e oficinas voltadas para a arte do palhaço/ator. Em sua 3ª edição, trouxe o artista brasileiro então, residente em Portugal, Breno Moroni, que ministrou a oficina “O Palhaço de Picadeiro”; dentre inúmeras atividades artístico/culturais, Breno também é autor e diretor teatral. À partir desse encontro surgiu a vontade do diretor de realizar uma montagem com o grupo.

O grupo, que já vem desenvolvendo trabalhos com diretores convidados, aceitou o convite, e em quinze dias de trabalhos intensos realizou a pré-estréia do espetáculo “Os Corcundas”, no evento Roça de Paz dos “Poetas Del Mundo”, ocorrido em 15 de janeiro de 2011. Apesar do curto espaço de tempo, a objetividade e o profissionalismo da equipe fizeram com que o espetáculo agradasse e comovesse a platéia. A simplicidade do tema abordado em “OS CORCUNDAS”, bem como a linguagem universal (pantomima e gromelô) são elementos que tornam esse espetáculo um convite a um belo passeio pelo universo fantástico da imaginação, agradando tanto crianças quanto adultos. É, sem dúvida, uma obra para todas as idades e para todos os públicos!


Breno Moroni como Diretor Teatral


Breno Moroni - Foto: Laila Pulchério


Um dos pioneiros no movimento Teatro de Rua e Teatro/Circo no Brasil e no exterior, paticipou da fundação e dirigiu algumas companhias teatrais. Dezenas são seus trabalhos como diretor em Teatro, TV e Cinema, onde se destacam (até 2013):

leia mais em http://brenomoroni.blogspot.com.br/p/teatro_29.html

“Ressureição” – Petrópolis / 1971
“The Castle” – London/ 1979
“And than God send to Noah the rainbow signal no more water, but fire next time” – London/1979
“Piccolo Circo  Moroni” – Firenze/1979
“Hello Good Bye” – London/ 1980
“55555,5 Kabaré Abracadabra” – nordeste Brasil/ 1981/82
“Punk-Apocalitico-Circense” - Rio de Janeiro /1982
“Kabaré Breno Moroni – Show Crise Internacional – Rio / 1983
“O Menor Circo do Mundo, do 3° Mundo”– Rio de Janeiro /1984
“Vem aí Pastelão”– Friburgo / 1984
“A Cidade de Pedro” – Petrópolis / 1994
“A Lenda de Urbano” – Brasilia / 1998
“A Lição” – Rio de Janeiro /2003
“Serrada da Velha” – Portugal/2006
“Les Garçons – Portugal/2006
“Procura-se Artista para Morango” – Portugal/2006
“Os Corcundas” – Autor / Diretor - Itália/ Portugal 2007/08
“Os Corcundas” – Autor / Diretor - Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Bolívia, Colômbia, Argentina, Goiás – Brasil 2011/14
“A Tenda das Adivinhações” – MS, Rio de Janeiro – Brasil 2011
“Nação Pantanal” – MS/2011
“ Godgle” – Autor / Diretor – MS Brasil 2012

“O Morto” - Autor / Diretor - MS 2013


Festival Palhaçada - Goiânia GO dez14 - Foto: Laila Pulchério


Trajetória da Peça

- I Festival SESC MS de Circo - Campo Grande/MS - 22jun17. 
- Teatro Prosa SESC Horto - Campo Grande/MS - 10 e 11mar17.
- VII Temporada do Chapéu - Campo Grande/MS - 19mar17.
Circuito sul-mato-grossense de Teatro 2016 - Distrito de Taboco, Corguinho,
Ribas do Rio Pardo, Distrito de Bocajá 17, 18 e 19nov16.
- Projeto Bar e Teatro Valu Campo Grande/MS 03nov16.
Aldeia Urbana Água Bonita - Campo Grande/MS 04jun16.
- 12º Congresso REDEUNIDA - Campo Grande/MS 22mar16.
- Festival América do Sul Pantanal 2015 - Corumbá/MS 04ago15.
- I FLIB – Feira Literária de Bonito/MS 10 e 11 jul 15 (3 apresentações).
- Escola Severino de Queiroz – Campo Grande/MS 04jul15.
- Semana de Teatro & Circo - Campo Grande/MS - 28mar15.
- Festival Palhaçada – Goiânia/GO 13dez14.
- Festival Internacional de Teatro de La Integración y El Reconocimiento de Formosa – Formosa e Clorinda / Argentina – 13 e 14ago13.
- Coletivo Terra Vermelha - Morada dos Baís - Campo Grande/MS - 20abr13.
- Praça Bolívia Tikay - Campo Grande/MS - 14abr13.
- Festival Boca de Cena FCMS - Campo Grande/MS – 27mar13.
- Curta temporada Circo do Mato – FOMTEATRO / FUNDAC / PMCG – Campo Grande/MS 19, 20, 21, 26, 27 e 28abr13.
- Semana Cultural MS em Cena – 6ª Representação – Três Lagoas/MS – 08nov12.
- IX Festival Internacional de Teatro de Antioquia - Rio Negro, Medellin, El Retiro / Colômbia – 24, 25, 26 e 27ago12.
- Mostra Boca de Cena - FCMS e Governo do Estado de MS - Campo Grande/MS – 31mar12.
- XXX Festival Sul-mato-grossense de Teatro – FESMAT - Campo Grande/MS – 03 dez 11 --- Premiado categoria Teatro Adulto: Melhor Maquiagem, Melhor Atriz, Melhor Direção, Melhor Figurino, indicação de Melhor Ator.
- I DeTrupe no Teatro Ziembinski - Rio de Janeiro/RJ – 29 e 30out11.
- 5° FESTCAMP – Festival Nacional de Teatro de Campo Grande/MS – 20out11.
- III Festival Internacional de Teatro de Dourados/MS – set11.
- Circuito sul-mato-grossense de Teatro 2011 – Cassilândia, Aparecida do Taboado, Porto Murtinho, Jardim e Nioaque/MS - ago e set11.
- III Pantalhaços – Campo Grande/MS - 14 e 17jul11.
- XI FESTER – Festival de Teatro de Resende/RJ – 08jul11.
- Teatro Prosa SESC Horto – Campo Grande/MS 27 e 28fev11.
- Festival América do Sul – FCMS e Governo do Estado de MS - Puerto Quijaro / Bolívia – 30abr11.
- Festival América do Sul – FCMS e Governo do Estado de MS - Corumbá/MS – 01mai11.
- Festival Boca de Cena – FCMS e FUNDAC - Campo Grande/MS – 25mar11.  
Água Clara / MS em comemoração ao aniversário da cidade – 06fev11.
- Ensaio Geral - Evento Poetas Del Mundo - Campo Grande/MS 15jan11.

Lu de Bem - Clorinda - Argentina - 2013

Aline Duenha e Mauro Guimarães - Puerto Suarez / Bolívia
após apresentação dOs Corcundas 2011 - Foto: Laila Pulchério



CRÍTICA I

O singelo do grotesco
Por Narciso Telles
Dia 21 de Outubro  2011 - 5º FESTCAMP


Narciso Telles

Ontem no palco do Teatro Glauce Rocha tivemos a alegria de conhecer dois personagens, dois Corcundas [macho e fêmea] diferentes em seus modos de ser e similares em seu lugar no mundo. Os Corcundas, do Circo do Mato de Campo Grande, encontrou na bufonaria medieval seu modo de fazer teatro. A bufonaria, tal como o melodrama, o palhaço, o besteirol, pertence ao uni verso da comicidade. Neste lugar, o bufão explora os instintos humanos em sua forma animal.

Sua busca incessante de comida e sexo regem suas ações, trafegando entre o grotesco e o singelo sem a menor compostura. O público são, por eles, considerados pessoas finas, saudáveis, sem deformidades de corpo e espírito. Seu jogo revela o riso do grotesco, da situação de marginalidade e penúria que estes personagens estão submetidos. Os números de bufão apresentados nas praças e ruas são formas encontradas de sobrevivência, daí os bufões estarem sempre em bandos. Juntos conseguem uma brecha, um espaço de aceitação dentro do sistema. São os bobos, os loucos, os velhos, os travestis de rua, os mendigos, os miseráveis...
No espetáculo em questão, os atores-bufões Aline Duenha e Mauro Guimarães constroem seu trabalho na tênua e perigosa relação entre o singelo [o lirismo] e o grotesco [o instinto], com a precisão técnica  necessária para a instauração do jogo cômico. O uso consciente dos gromelôs como linguagem falada em cena, desterritorializando estes bufões de um lugar preciso, de uma determinada cultura, oferecem ao público a dimensão existencial dos mesmos.                         
Aline e Mauro conseguem criar seus personagens, sem exageros ou virtuosismo. Os números circenses, têm o tamanho e o tempo certo de execução, para o deleite do espectador. Presenciamos dois atores-bufões em estado de diversão, de brincadeira. Isto é muito bom. 

A direção de Breno Morroni está centrada no trabalho dos atores, criando uma dramaturgia que parte da situação [encontro destes bufões] e as sequências de ações grotescas ou líricas derivadas deste encontro.
A luz e a sonoplastia criam atmosferas entre o cômico e o drama, no qual estes bufos estão submetidos. Funciona na medida certa.

Um bom momento é a conversa do Bufão com Deus, na tentativa de compreender o porque de seu estar naquele situação [perda da companheira grávida], aqui lembramos da frase de um mestre de bufão Phillipe Gaulier: o bufão é o filho que deus disse: se vira no mundo. Ao contrário do palhaço, o bufão não pede palmas ao sucesso de um número, mas dinheiro, comida.
Os momentos de platéia poderiam ser mais explorados, buscando tornar os espectadores cúmplices dos personagens. O pão e o macarrão oferecidos poderiam constituir um mote para a
revelação da vida de penúria dos Corcundas, situação presente nos tempos de trevas do medievo. O final do espetáculo, no qual os atores despem duas corcundas me parece deslocado do todo, mas nada que prejudique a encenação.

Rimos da deficiência, da não compreensão da linguagem, da diferença. 

O espetáculo poderia resvalar para uma mensagem politicamente correta ou pedagogizante do respeito da diferença, tão comum quando os artistas querem educar seu público, mas não é isto que ocorre. Ao contrário, com a força transgressora do bufão e do teatro o espetáculo Os Corcundas vai além. Promove o encontro com as diferenças, a resignificação da morte, do sexo, da pobreza. Temas, ainda tabus no teatro, mas que o espetáculo aborda com uma qualidade impar. 
O encontro dos Corcundas do Circo do Mato com Morroni re-coloca no teatro seu aspecto transgressor. A singeleza do humano na poética do grotesco.

Narciso Telles
Bafejando gromelôs

NARCISO TELLES - É ator, performer, diretor, professor do Curso de Teatro e do Programa de Pós-Graduação em Artes da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Doutor em Teatro pela UNIRIO (2007). Pesquisador do Núcleo de Criação e Pesquisa Teatral e membro do Coletivo Teatro da Margem. Dirigiu recentemente os espetáculos Maria Borralheira (Uberlândia, 2007) e Mistério do Fundo do Pote (O Imaginário, Porto Velho, 2006) e Canoeiros da Alma (Uberlândia, 2008). Organizador dos livros: Teatro: ensino, teoria e prática (EDUFU, 2004), Teatro de Rua: olhares e perspectivas (E-Papers, 2005) e Pedagogia do teatro e o teatro de rua (Mediação, 2008). Foi curador em duas edições do Encontro Nacional de Teatro de Rua de Angra dos Reis.



CRÍTICA II

Por Anny e Leo
Dia 03 de Novembro 2016 - BAR E TEATRO


Anny e Leo



Um olhar sobre Os Corcundas, por Anny

A peça é daquelas obras de humor leve, que fazem todos, de crianças a idosos, rirem e se identificarem.
Temos dois atores em cena, que representam o encontro e o interesse amoroso de duas pessoas corcundas, como o próprio título sugere. Nessa junção de dois seres, o foco não é a linguagem utilizada – eles se comunicam através de sons que somente em alguns momentos lembram a língua portuguesa –, mas sim as sensações e sentimentos que derivam dessa confluência inesperada.
A maneira leve com a qual toda a peça é conduzida fica ainda mais evidente na representação do sexo entre os dois personagens, retratado de forma natural e engraçada, sem ser caricaturada ou ofensiva.
Apesar de sua simplicidade, o contexto da narrativa nos traz grandes temas para debate e reflexão: a exploração humana, a discriminação, a fome, a pobreza, a generosidade... o fato de ser simples, no caso de Os corcundas, não significa pouca profundidade ou densidade, mas sim ter leveza na condução e na apresentação desses e outros temas.
Daquelas obras que te prendem do começo ao fim e trazem alívio à alma!

Um olhar sobre Os corcundas, por Leonardo

É incrível como, quase sempre, o melhor da cultura não está nas artérias e veias principais, mas sim nas arteríolas e nas linfas periféricas de nossa sociedade. Um bar de samba que acolhe um projeto ímpar de cultura através do teatro. Desde o momento em que chegamos ao Bar Valu, passando pelos expositores de arte e artesanato no corredor principal que nos leva até o salão principal onde há uma disposição de mesas e cadeiras e um palco montado para receber a mágica do teatro.
Antes da peça se iniciar, a dona do bar discursa e mostra toda a consciência e respeito pelo gesto e trabalho artístico que estamos prestes a vivenciar. O clima de respeito e leveza é estabelecido e a peça tem seu início.
Os corcundas é uma peça que dispensa grandes produções, é como aquela beleza natural que maquiagens e ornamentos só servem para ofuscar. Dois personagens, brilhantemente interpretados por dois atores fantásticos de nossa cidade, que não vivem apenas no palco mas que, sem medo de quebrar a quarta parede quando bem entendem, envolvem todo o local e fazem de cada detalhe – as cadeiras, os olhares, as sombras, os espaços desocupados e ocupados – uma peça fundamental para a história que está sendo contada. De um ritmo muito bem conduzido, a leveza é pousada por toques de realidade e fricção onírica. Uma linguagem desconstruída mostra que, muitas vezes, o corpo e as emoções são muito mais claros que qualquer diálogo polidamente verbal.
A peça é circo, é teatro, é vida, é paixão, é interação, é mescla, é para adultos, é para crianças, é para jovens, é para ganhar o mundo!

Considerações finais

O Bar Valu está mais do que de parabéns por proporcionar aos cidadãos mais esta belíssima faceta de nossa cultura que é o teatro e a companhia Circo do Mato é fenomenal, até hoje não assistimos nada que não fosse digno de, no mínimo, aplaudirmos de pé o espetáculo!



Leo & Anny
Somos um casal que busca a mudança através do conhecimento e da reflexão sobre a cultura e a vida! A existência deste site é a forma que encontramos de compartilhar a nossa paixão pela literatura e tudo o que este extraordinário universo de imaginação e reflexão possa agregar.
Casal Entre Livros é o fruto de um trabalho que desenvolvemos há mais de oito anos, desde os extintos blogs Liber Imago (*2008 +2011) e Leio EU (desde 2011 e no ar até dia 01/01/2017), um trabalho iniciado pelo Leo (com o Liber Imago) e que, após o início do namoro com a Anny, passou a se chamar Leio EU. Agora, estamos casados há mais de um ano, morando juntos, com nossa biblioteca e nossos gatos, é hora de mais uma mudança. E para melhor!

http://www.casalentrelivros.com.br/2016/11/um-olhar-sobre-peca-os-corcundas.html


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